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Ceará

Fortaleza celebra mais de 60 anos de trajetória de Mestre Macaúba com show no Aterrinho

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A síncope é um elemento fundamental em diversos gêneros da música brasileira. A acentuação deslocada no compasso rompe a previsibilidade e produz tensão, movimento e leveza. O choro, o frevo e o samba são gêneros repletos de beleza justamente por essa rítmica ondulante e fluida.

A quebra da previsibilidade, aliada ao ritmo exuberante, impulsiona o desenvolvimento de potencialidades antes inimagináveis. Foi nessa confluência entre imprevisibilidade e potência criativa que, aos sete anos de idade, o pequeno José Felipe da Silva, o futuro Macaúba do Bandolim, teve o primeiro contato com o instrumento que mudaria sua vida e influenciaria toda uma geração de chorões e frevistas, não apenas em sua cidade natal, Fortaleza, mas em todo o Brasil.

O Ciclo Carnavalesco 2026 de Fortaleza homenageou Mestre Macaúba do Bandolim. A programação de seis semanas de folia culminou em um espetáculo realizado neste sábado (15/02), no Aterrinho da Praia de Iracema, celebrando mais de seis décadas de dedicação do artista à música e à cultura da capital cearense.

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Comedido, antes do show, o autodidata celebrou o reconhecimento e avaliou o legado de sua carreira.

“Eu só tenho a agradecer à cidade de Fortaleza. Vivi aqui, construí minha carreira tocando na noite. Fortaleza está completando 300 anos, e eu me sinto reconhecido como alguém que dedicou a vida à música”, comentou Macaúba

“Não sei se fui grande coisa, mas fui verdadeiro na minha trajetória. E o reconhecimento da minha carreira, construída aqui na noite de Fortaleza, já é o maior legado que eu poderia deixar”, concluiu.

A dúvida mencionada por Macaúba não pairava sobre quem compareceu ao espetáculo. Tratava-se de uma homenagem mais do que justa. Quem também não teve dúvidas sobre esse reconhecimento foi Beliza Guedes, esposa do músico.

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“O Macaúba já merecia essa homenagem há muito tempo, porque ele foi o verdadeiro criador do Carnaval da Mocinha. Existe toda uma história: ele ensaiava, organizava, animava, estava sempre à frente.”

“Ele animou não só o Carnaval de Fortaleza, mas também o de várias cidades do interior. Então, para mim, Carnaval e choro fazem parte da nossa vida. Fazem parte da nossa história. E isso traz muita alegria, muita honra mesmo”, completou Beliza.

O reconhecimento ao artista também vai além do show. O mestre recebeu o título de Notório Saber em Cultura Popular, concedido pela Universidade Estadual do Ceará (Uece), e, no mesmo ano, foi diplomado pelo Governo do Ceará como Mestre da Cultura, com o mérito de Tesouro Vivo, em reconhecimento à sua contribuição para a memória do patrimônio imaterial cearense.

Como destacou Helena Barbosa, titular da Cultura de Fortaleza (Secultfor), a Prefeitura tem adotado a estratégia de utilizar a visibilidade e a estrutura do Carnaval para evidenciar símbolos da identidade cultural da cidade.

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Segundo a secretária, ao projetar a trajetória desses artistas nas grandes vitrines da festa, o poder público amplia o reconhecimento e difunde suas histórias junto à população.

“Nós temos assumido uma postura muito clara: colocar nas grandes vitrines aquilo que é símbolo da identidade cultural de Fortaleza. No passado, já homenageamos nomes importantes da nossa cultura e entendemos o alcance midiático que o Carnaval tem, com toda a sua estrutura e visibilidade. Então, usamos essa potência para projetar figuras que, muitas vezes, não teriam esse mesmo espaço de projeção.”

“Quando projetamos o rosto, a história e a trajetória de um artista nas grandes estruturas do Carnaval, nos discursos e nos momentos cerimoniais, despertamos na população o desejo de saber quem é aquela pessoa. Isso faz com que sua história seja difundida e reconhecida”, completou Helena.

Produção musical

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Marinaldo do Bandolim, filho de Macaúba, comentou como foi feita a escolha do repertório e a preparação dos músicos para o show de homenagem.

“O repertório tem um pouco de Jacó do Bandolim, Armandinho Macedo, frevos tradicionais, músicas autorais dele e também uma composição minha. Vamos ter inclusive uma coreografia sobre um frevo dele, ‘Ferro de Gomar’, e também sobre o choro ‘Choro de Butiquim’, título do primeiro vinil dele aqui no Estado. Por sinal, foi o primeiro registro em vinil de choro do Ceará. Ele é pioneiro nisso.”

“Sobre a formação da equipe, pensamos em algo que representasse essa trajetória. Um neto dele vai tocar um frevo de autoria dele, e o Ribamar, que foi parceiro de trio elétrico durante tantos anos, foi o primeiro nome que veio à mente. Era impossível fazer sem ele”, completou Marinaldo.

Uma das surpresas do show foi a confecção de um boneco de Macaúba, feito pelo bonequeiro Adenildo Cavalcante, semelhante aos tradicionais que desfilam ao som do frevo em Olinda.

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“Esse boneco foi criado em apenas quatro dias: foram os últimos quatro dias de trabalho intenso. Foi tudo feito com muito carinho, mas também com muita pressa. Se tivéssemos tido mais tempo, teria sido mais tranquilo, mas deu certo, e isso é o que importa.”

“Fortaleza nem sempre privilegia seus grandes artistas. E hoje estamos vivenciando algo diferente: uma homenagem em vida, um reconhecimento público. Isso é uma grande satisfação. Uma alegria imensa mesmo”, completou Adenildo.

Sobre Macaúba do Bandolim

Com mais de 60 anos de trajetória, Macaúba é reconhecido como um dos maiores bandolinistas do Ceará e referência na cena artística do Estado. Em 2018, recebeu o título de Notório Saber em Cultura Popular pela UECE e foi diplomado como Mestre da Cultura, com o mérito de Tesouro Vivo. Também foi apontado pela revista Veja como o sétimo melhor bandolinista do país.

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